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e-questionários

Fevereiro 17, 2010

The Internet changes everything

Larry Ellison, CEO da Oracle

A Internet veio modificar a forma como trabalhamos, nos divertimos e nos relacionamos. Para o investigador, “(…) the Internet provides new tools for conducting research ” (Markham, 2004: 95). Uma das oportunidades oferecidas pela Internet é a realização de inquéritos online.

Cohen, Manion e Morrison (2007) referem a existência de várias vantagens na utilização de inquéritos através da Internet:

  • Tem custos mais reduzidos do que um inquérito aplicado em papel
  • Reduz o tempo necessário à sua distribuição e processamento de dados uma vez que os dados podem ser processados automaticamente
  • Permite que um maior número de pessoas possa participar (segundo Markham (2004: 101), a utilização da Internet permite ao investigador incluir pessoas que, de outra forma, estariam indisponíveis)
  • Quando o tema da investigação é sensível, este tipo de inquéritos permite o acesso a grupos que são normalmente difíceis de identificar ou aceder
  • Pode constituir uma novidade
  • Os questionários podem ser respondidos de casa ou de qualquer outro lugar onde exista acesso à Internet
  • Os inquiridos podem completar o questionário quando lhes der mais jeito
  • O inquérito não tem de ser completado todo de uma vez
  • As respostas nos inquéritos on-line apresentam menos perguntas não respondidas do que os inquéritos em papel
  • Os erros na entrada e processamento de dados são reduzidos
  • Podem-se adicionar características que tornam o inquérito mais atractivos tais como gráficos e cor
  • Pode-se obter uma maior generalização uma vez que os utilizadores da Internet fazem parte de uma população diversificada
  • A participação voluntária pode levar a uma maior autenticidade nas respostas

A esta lista Zhang (1999) acrescenta o facto de poderem aumentar a motivação para as pessoas responderem ao apresentarem um processo dinâmico e interactivo e Anderson e Kanuka (2003) referem ainda como vantagens adicionais:

  • A introdução directa dos dados pelo inquirido
  • Maiores oportunidades de realizar inquéritos
  • Flexibilidade de design
  • Maior retorno dos inquéritos
  • Mais rápida criação e distribuição

Apesar desta extensa lista, nem tudo é perfeito e vários autores são críticos em relação à aplicação de inquéritos através da Internet. Dillman, Tortora e Bowker (1998: 1-2) e Schleyer e Forrest (2000) referem problemas como a literacia informática e o poder de processamento dos computadores. Se o segundo aspecto hoje em dia pode ser praticamente descartado (onze anos na informática são uma eternidade – Dillman fala em acessos à Internet com modems de 14.4 Kbps), o primeiro não será de menosprezar:

“Internet users tend to be highly educated white men between the ages of 26 and 30 years. Even so, their experience responding to online questionnaires may be limited. Thus, Web-based surveys need to have clear directions on how to perform each needed skill, e.g., how to enter answers with a dropdown box or erase responses from a check box so that responding to the questionnaire does not become a frustrating experience.” (Schleyer e Forrest, 2000)

O tipo de utilizadores da internet, que Schleyer e Forrest descrevem como “highly educated white men beetween the ages of 26 and 30” constitui um dos problemas referidos por Cohen et al. (2007: 231-235). A lista completa que estes autores apresentam é longa (ocupa as páginas 231 a 235 e incluem soluções para os problemas), por isso segue-se um pequeno resumo.

  • Problemas de amostragem:
    • Alguns grupos podem encontrar-se subrepresentados quer por não terem ou preferirem não aceder à Internet
    • Podem existir problemas de cobertura
    • Não haver respostas e enviesamento (bias) do inquirido
  • Problemas de ética:
    • Os inquiridos podem preferir manter o anonimato
    • Os inquiridos podem não saber nada do investigador (por exemplo, se se trata de uma investigação séria)
    • Consentimento
  • Problemas de hardware (a maior parte dos problemas apresentados já não aplicavam em 2007 mas pelo menos um é importante):
    • A utilização de plug-ins como o Flash que podem aumentar o tempo que leva a carregar o inquérito
  • Problemas com os inquiridos:
    • Os inquiridos podem não estar familiarizados ou ser inexperientes no uso da Internet
    • Os inquiridos podem enviar múltiplas cópias das suas respostas
    • Os inquiridos podem não estar habituados à utilização de pull-down menus

Em relação ao problema da amostragem referido por Cohen et al., Schleyer e Forrest (2000) concordam que é preciso ter cuidado.

“While access to e-mail and the Internet grow daily, a ‘digital divide’ exists among age and racial groups, income levels, and geographic settings. Ensuring that each potential respondent has an equal chance of being selected to participate poses a major challenge in conducting a scientifically sound survey. (…) Unfortunately, the sampling procedures reported in many electronic surveys reflect unknown samples. When subjects are recruited by targeting newsgroups or search engines, it is nearly impossible to determine the distribution of the sample population. These survey procedures should be used only when sampling and self-selection biases can be tolerated.” (Schleyer e Forrest, 2000)

Com uma tão grande lista de problemas devemos utilizar questionários online? Penso que sim, desde que, tal como acontece com qualquer ferramenta, se conheçam as suas limitações.

Referências

Anderson, T. & Kanuka, H (2003). e-Research: Methods, strategies and issues. Boston: Allyn and Bacon

Cohen, L., Manion, L., & Morrison, K. (2007). Research methods in education (6ª Ed ed.). Londres: Routledge.

Dillman, A., Tortora, R. & Bowker, D. (1998). Principles for Constructing Web Surveys, disponível online em http://survey.sesrc.wsu.edu/dillman/papers/Websurveyppr.pdf (acedido em 2 de Novembro de 2009)

Markham, Annette N. (2004). Internet communication as a tool for qualitative research. In D. Silverman (Ed.), Qualitative research: Theory, methods and practice (2ª ed., pp. 95-124). Los Angeles, CA: Sage.

Schleyer, T. K., & Forrest, J. L. (2000). Methods for the Design and Administration of Web-based Surveys. JAMIA , 7 (4), 416-425. Disponível online em http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC61445/ (acedido em 20 de Novembro de 2009)

Solomon, D. J. (2001). Conducting Web-Based Surveys. Practical Assessment, Research & Evaluation, 7 (19). Disponível online em http://PAREonline.net/getvn.asp?v=7&n=19 (acedido em 18 de Novembro, 2009)

Zhang, Y. (1999). Using the Internet for Survey Research: A Case Study. Journal of the American Society for Information Science. 51(1): 57-68, disponível online em http://www.tim.ethz.ch/education/courses/courses_fs_2007/course_docsem_fs_2007/literature/9_Zhang_Using_the_internet_for_survey_research.pdf (acedido em 15 de Novembro de 2009)

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