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e-entrevistas

Fevereiro 15, 2010

Anything that can go wrong will go wrong.

Lei de Murphy

Até há relativamente pouco tempo, os métodos para registar entrevistas eram simples: gravador audio, câmera de vídeo, notas e memória (Kvale & Brinkmann, 2009: 179). Com a chegada da Internet, as coisas começaram a mudar. “(…) the Net-enhanced researcher acquires an attitude of curiosity, a critical but accepting attitude towards technological tools, and a willingness to look at the world through new technological and communication lenses” (Anderson & Kanuka, 2003: 1).

Cohen et al. (2007: 241) consideram que a Internet representa um excelente oportunidade para a realização de entrevistas.

“For example, online interviews which are entirely real-time and synchronous through chat rooms, can be anonymous for both parties if so desired, and the opportunity to contact respondents at mutually convenient times is enhanced. (…) The Internet may also enable researchers to contact hard-to-reach groups and individuals (…).” (Cohen et al., 2007: 241-242)

Mas este poder, abertura e facilidade vêm com um preço. Vem isto a propósito da realização das minhas entrevistas para a u.c. de Metodologia de Investigação em Contexto Online.

A actividade consistia na realização de uma entrevista semi-estruturada a um amigo nosso que nunca tivesse tido nenhuma experiência em EaD. Para a entrevista foram escolhidas 3 questões de investigação: 1) O que pensam pessoas que nunca tiveram experiência de ensino a distância sobre esta modalidade de ensino?; 2) Como é que valorizam e/ou desvalorizam o ensino a distância?; 3) Como é que sentem o facto de ser amigo de um estudante de mestrado em Ensino a Distância?

A entrevista podia ser feita presencialmente ou através da Internet (houve alguma discussão sobre as ferramentas a utilizar, mas quase todos os alunos do mestrado se inclinavam para a realização através da ‘net). A minha primeira ideia foi realizar a entrevista no Second Live não só porque, no semestre passado, já tínhamos utilizado o SL para realizar uma entrevista, mas também porque quem eu tinha pensado entrevistar tem experiência naquele mundo virtual.

As coisas começaram a não correr bem como eu pensava quando a minha futura entrevistada disse que não se importava que a entrevista fosse feita no SL mas que queria utilizar a voz para ser mais rápido. O problema era como gravar a voz no SL. Pesquisa na Internet à procura da solução. Muita coisa para Windows, menos para o Macintosh, mas lá descobri o truque e comprei uma ferramenta chamada Audio Jack Pro.

Depois de tudo instalado e configurado chegou a altura da experiência (sempre necessária quando é a primeira vez que utilizamos uma ferramenta). E foi aqui que as coisas não correram lá muito bem. Primeiro não conseguia captar o som – longos minutos com as preferências do SL e do computador à procura do que estava errado. A seguir, o som estava péssimo, havia feedback, a minha ligação estava demasiado lenta e depois de longos minutos de correria entre o portátil (que estava a ser utilizado porque tem microfone incorporado) e o computador de secretária (mais potente) para tentar perceber o que se passava deixámos o SL. A minha amiga acabou por não ser entrevistada mas isto serve para mostrar que quando subimos a fastia tecnológica, a Lei de Murphy torna-se em algo que devemos ter em atenção. É claro que com as ferramentas clássicas também podem acontecer imprevistos (o gravador não funciona, as pilhas acabam ou a cassette não tem tempo suficiente), mas são sempre problemas mais fáceis de resolver.

Acabei por fazer duas entrevistas: uma presencial (que gravei com o computador, apesar de ter um gravador na mala) e uma através do chat do Google. A presencial deu mais trabalho porque foi preciso transcrevê-la mas foi mais rica e levou menos tempo (conseguimos despachar as coisas em pouco mais de 25 minutos) enquanto que para a outra foram necessários cerca de 90 minutos e foi mais impessoal apesar de conhecer o entrevistado há muito mais tempo.

Referências

Anderson, T., & Kanuka, H. (2003). e-Research: Methods, startegies and issues. Boston: Allyn and Bacon.

Cohen, L., Manion, L., & Morrison, K. (2007). Research methods in education (6ª Ed ed.). Londres: Routledge.

Kvale, S., & Brinkmann, S. (2009). Interviews: Learning the craft of qualitative research interviewing. ThousandOaks, California: Sage Publishing.

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From → Metodologias

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