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A entrevista

Dezembro 6, 2009

Depois de algumas leituras sobre entrevistas aqui ficam alguns dos apontamentos que fui tomando.

Yin (2009: 106) considera as entrevistas como “one of the most important sources of case study information” uma vez que a maior parte dos estudos de caso são sobre assunos que dizem respeito às pessoas.

Well-informed interviewees can provide important insights into such affairs or events. The interviewees also can provide shortcuts to the prior history of such situations, helping you to identify other relevant sources of evidence. (Yin, 2009: 108)

Utilizações

Cohen, Manion e Morrison (2007: 351) referem que a entrevista de estudo pode ser usada

  1. Como principal meio de recolha de informação relacionada com os objectivos da investigação.
  2. Para testar ou sugerir novas hipóteses.
  3. Conjuntamente com outros métodos de investigação
    • Para investigar resultados inesperados
    • Para validar outros métodos
    • Para aprofundar as motivações dos respondentese as razões para terem respondido da forma que o fizeram.

Ghiglione e Matalon (1978: 85) referem aproximadamente as mesmas utilizações mas com outros nomes:

  1. Controlo
  2. Verificação
  3. Aprofundamento
  4. Exploração

Tipos de entrevistas

Parece não haver consenso quanto ao número de tipos de entrevista. Cohen, Manion e Morrison (2007: 352-353) citam vários autores com visões sobre o assunto mas parecem mostrar preferência pela definição de Patton que considera quatro haver quatro tipos: informal conversacional; entrevista guiada; estandardizada aberta e quantitativas fechadas. Ghiglione e Matalon (2001: 64) apresentam um quadro semelhante: entrevista não directiva; entrevista semidirectiva; questionário aberto e questionário fechado. Yin (2009: 107-108), por outro lado, refere três tipos de entrevistas: as em profundidade; focused interviews e entrevistas com perguntas mais estruturadas que se assemelham a um questionário.

Tipo Descrição
Entrevista não directiva O entrevistador propõe um tema e apenas intervem para insistir ou encorajar.
Entrevista semidirectiva O entrevistador conhece todos os temas sobre os quais tem de obter reacções por parte do inquirido, mas a ordem e a forma como os irá introduzir são deixados ao seu critério.
Questionário aberto A formulação e a ordem das questões são fixas mas o respondente pode dar uma resposta tão longa quanto desejar.
Questionário fechado A formulação das questões, a sua ordem e a gama de respostas possíveis são previamente fixadas.

Cohen, Manion e Morrison (2007: 353) apresentam o seguinte quadro com as vantagens e desvantagens de cada um dos tipos de entrevistas.

Tipo de entrevista Características Vantagens Desvantagens
Informal conversacional As perguntas surgem do contexto imediato e são feitas no decorrer da conversa; não existem perguntas predeterminadas. Aumenta a relevância das perguntas; as entrevistas são construídas e emergem de observações; a entrevista pode ser adaptada para o entrevistado e para as circunstâncias. Informação diferente é recolhida de diferentes pessoas com perguntas diferentes. Menos sistemática e compreensível se certas perguntas não surgem “naturalmente”. A organização e análise dos dados pode ser bastante difícil.
Entrevista guiada Os tópicos e questões a serem tratadas são definidas antecipadamente; o entrevistador decide a sequência das perguntas durante a entrevista. O traçado da entrevista aumenta a compreensão dos dados e torna a sua recolha algo sistemática para cada respondente. Falhas de lógica nos dados podem ser antecipadas e resolvidas. As entrevistas mantêm um estilo conversacional. Tópicos importantes podem ser inadvertidamente omitidos. A flexibilidade do entrevistador na sequência das perguntas e na sua formulação pode resultar em respostas substancialmente diferentes, reduzindo, assim, a compatibilidade das respostas.
Estandardizada aberta A formulação exacta das perguntas é definida antecipadamente. Todos os entrevistados respondem às mesmas perguntas pela mesma ordem. Como os respondentes respondem às mesmas perguntas aumenta a comparatibilidade das respostas; os dados de cada pessoas em relação aos tópicos da entrevista são completos. Reduz os efeitos e a influência do entrevistador quando são feitas várias entrevistas. Permite aos decisores ver e reverem a instrumentação usada na avaliação. Facilita a organização e análise dos dados. Pouca flexibilidade; a standardização da formulação das perguntas pode constrangir e limitar a naturalidade e relevância das perguntas e respostas.
Quantitativa fechada As perguntas e respostas são definidas antecipadamente. As respostas são fixas; os respondentes escolhem de entre estas respostas pré-definidas. A análise dos dados é simples; as respostas podem ser comparadas directamente e facilmente agregadas; podem ser feitas muitas perguntas num curto espaço de tempo. Os respondentes têm de ajustar as suas experiências e sentimentos às categorias do investigador; pode ser vista como impessoal, irrelevante e mecânica. Pode distorcer o que os respondentes realmente queriam dizer ou experienciaram.

Vantagens, limitações e opções

Segundo Creswell (2009:179), as opções, vantagens e limitações das entrevistas são as seguintes:

Opções Vantagens Limitações
Presencial Útil quando os participantes não podem ser directamente observados Fornece informação indirecta filtrada através da perspectiva dos entrevistados
Telefone Os participantes podem fornecer informação histórica Fornece informação num lugar designado em vez do local natural
Focus groups Permite ao investigador controlar o rumo das perguntas A presença do investigador pode influenciar as respostas
E-mail, internet Nem todas as pessoas têm a mesma capacidade de expressão e percepção

O processo da entrevista

Creswell (2007) diz que o processo da entrevista pode ser considerado como uma série de oito passos:

  1. Identificação dos entrevistados.
  2. Determinação qual o tipo de entrevista que será possível e dará ao investigador a melhor informação para poder responder às perguntas da investigação.
  3. Utilização de equipamento adequado para a recolha dos dados.
  4. Conceber e usar um protocolo de entrevista.
  5. Melhorar as perguntas e os procedimentos através de um teste piloto.
  6. Definir o local da entrevista.
  7. Depois de chegar ao local da entrevista obter o consentimento do entrevistado para participar no estudo.
  8. Durante a entrevista não se desviar das perguntas.

Em relação ao local da entrevista, Ghiglione e Matalon (2001: 76) chamam à atenção para a importância de se escolher um local apropriado:

Realizar entrevistas com operários, cujo local de trabalho é habitualmente a oficina, num escritório insonorizado, climatizado, iluminado a néon, com roupas que compreendem “necessariamente” um fato e uma gravata, é o mesmo que “rotular-se” autmaticamente como fazendo parte dos “colarinhos brancos”. Consequentemente, provoca-se nos e. [entrevistados] comportamentos e intervenções ligados a essa percepção.

O problema provocado pelas percepções que são construídas pelos entrevistados é referido, entre outros, por Miller e Glassner:

The issue of how interviewees respond to us based on who we are – in their lives, as well as the social categories to which we belong, such as age, gender, class, and race – is a pratical concern as well as an epistemological or theoretical one. (2009: 127-128)

Referências

Cohen, L., Manion, L., & Morrison, K. (2007). Research methods in education (6ª ed.). Londres: Routledge.

Creswell, J. W. (2009). Research design: Qualitative, quantitative and mixed methods approaches. Los Angeles, CA: Sage.

Creswell, J. W. (2007). Qualitative inquiry and research design: Choosing among five approaches. Thousand Oaks, CA: Sage

Ghiglione, R., & Matalon, B. (2001). O Inquérito (4ª ed.). (C. L. Pires, Trad.) Lisboa: Celta.

Miller, J., & Glassner, B. (2009). The “Inside” and the “Outside”: Finding Realities in Interviews. In D. Silverman (Ed.), Qualitative research: Theory, methods and practice (2ª ed., pp. 125-139). Los Angeles, CA: Sage.

Yin, R. K. (2009). Case study research: Design and methods (4ª ed.). Thousand Oaks, CA: Sage.

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